Blog · Precificação
É o número abaixo do qual cada venda passa a te custar dinheiro. Ele existe para cada produto, em cada canal — e quase ninguém sabe o seu.
Chega o dia da campanha, o canal pede um desconto, o concorrente baixou o preço e você tem trinta segundos para decidir. A pergunta certa nesse momento não é "quanto posso descontar?". É "até onde eu posso descer sem começar a pagar para vender?".
Esse limite tem nome: preço mínimo de venda. Ele não é opinião, é conta. E a conta tem um detalhe que engana muita gente boa.
Numa venda de marketplace existem custos de duas naturezas completamente diferentes:
Por que isso importa: se você somar todos os custos em reais e acrescentar a margem que quer, o resultado está errado. Ao subir o preço, você também subiu a comissão e o imposto, porque eles são percentuais sobre o preço novo. O preço precisa cobrir também esse aumento — e o único jeito de fazer isso é dividir, não somar.
Preço mínimo = custos em reais ÷ (1 − soma dos percentuais)
Custos em reais: custo do produto + embalagem + frete pago por você + anúncio rateado por unidade + devolução rateada por unidade.
Percentuais: comissão do canal + imposto sobre a venda + taxa financeira. Some tudo em forma decimal (16% = 0,16).
Esse é o preço de empate: nele você não ganha nem perde. Para ter lucro, some também a margem desejada aos percentuais, dentro do parêntese.
Números inventados para ilustrar a mecânica — troque pelos da sua operação:
Custos em reais
Custo do produto ................ R$ 52,00
Embalagem ......................... R$ 2,50
Frete pago pela loja .......... R$ 19,90
Anúncio rateado ................. R$ 9,00
Devolução rateada .............. R$ 1,34
Soma ............................... R$ 84,74
Percentuais
Comissão do canal ................... 16%
Imposto sobre a venda ................ 8%
Taxa financeira ...................... 2%
Soma ................................ 26%
Preço de empate: R$ 84,74 ÷ (1 − 0,26) = R$ 84,74 ÷ 0,74 = R$ 114,51.
Confira: 26% de R$ 114,51 são R$ 29,77 de comissão, imposto e taxa. Tirando isso e os R$ 84,74 de custo, sobra zero. Vender a R$ 114,50 é vender para não ganhar nada. Vender abaixo disso é pagar para trabalhar.
Preço com 15% de margem: R$ 84,74 ÷ (1 − 0,26 − 0,15) = R$ 84,74 ÷ 0,59 = R$ 143,63.
Confira de novo: a R$ 143,63, os percentuais levam R$ 37,34, os custos levam R$ 84,74, e sobram R$ 21,54 — exatamente 15% do preço.
O caminho intuitivo seria achar o preço de empate (R$ 114,51) e acrescentar 15%: R$ 131,69. Parece certo e não é. A R$ 131,69, os 26% de percentuais levam R$ 34,24; tirando os R$ 84,74 de custo, sobram R$ 12,71 — 9,65% de margem, não 15%.
A diferença veio da comissão e do imposto a mais que o preço maior gerou. É um buraco de um terço da margem que você pensou ter, em todo produto, em toda venda. É o erro de precificação mais comum e mais silencioso que existe.
Regra de bolso: margem e taxa que são percentuais sobre o preço entram no divisor, nunca como acréscimo no fim.
O mesmo produto tem preços mínimos diferentes em cada marketplace, e a razão é que quase toda linha da conta muda:
Por isso não existe "o preço mínimo do produto". Existe o preço mínimo daquele produto naquele canal. Usar um número só para todos os canais garante que em algum deles você está vendendo abaixo da linha.
O preço mínimo não é um número que se calcula uma vez e se guarda. Ele se move sozinho quando:
O cálculo em planilha funciona enquanto a própria planilha recebe dados atualizados, foi assim que construímos parte da nossa estrutura operacional. O problema aparece quando atualizar custo, comissão, frete, Ads e devoluções depende de trabalho manual. A próxima etapa é automatizar a entrada dessas informações e recalcular o preço de forma contínua.
Uma ressalva importante: o preço mínimo é o chão, não o alvo. Ele te diz até onde dá para descer, não quanto cobrar. O preço de venda depende de concorrência, posicionamento, elasticidade e do que o seu cliente está disposto a pagar — coisas que nenhuma fórmula resolve.
O que a fórmula resolve é a pior categoria de erro que existe no e-commerce: descobrir só no fechamento do mês que a campanha que vendeu muito vendeu abaixo do chão. Com o mínimo na mão, a decisão de trinta segundos deixa de ser aposta.
Manter preço mínimo por SKU e por canal, com custo, comissão, frete e rateio de anúncio sempre em dia, é trabalho de rotina — e rotina feita à mão não sobrevive ao volume. O caminho é o cálculo rodar sozinho: os pedidos e os custos entram por integração, os repasses e fretes vêm dos marketplaces, a fatura de anúncio entra, e o preço mínimo sugerido fica atualizado ao lado do preço praticado, com alerta quando um cruza o outro.
É uma das lógicas que estamos levando para o Radar e que a Navega já pode implementar em projetos personalizados, conforme a viabilidade das integrações. Para entender a conta completa antes, leia como calcular o lucro real de cada venda e o que o seu ERP não calcula.
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Conhece uma operação que precisa organizar os números? Apresente a gente.